hoje foi um dia pesado. daqueles que eu vivi tantas vezes no último ano, fugindo da minha realidade enquanto eu me machuco, esgotando meu corpo. parece que eu machuco meu corpo pra poupar a minha mente. mas não dá certo, porque tem momentos que eu não consigo fugir dos meus pensamentos. eu tava fazendo isso também evitando estar sozinha, mas nem sempre isso é possível. agora é um desses momentos. e ter consciência de que eu me machuco nessa tentativa parece que me machuca ainda mais. por que eu não consigo simplesmente viver sem me torturar? parece que tudo que eu faço é autolesivo. até quando eu to bem, quando eu to distraída ou até mesmo feliz, ainda é autolesivo. porque eu nunca consigo fazer algo de maneira saudável. tudo é demais. eu me apego demais, eu dependo demais, eu trabalho demais, eu me esgoto demais. tudo é demais. mas de uma forma negativa. então até quando eu to feliz, eu to cultivando o desespero, a culpa. principalmente a culpa. essa aí vem por tudo, também. culpa por ter me permitido sentir coisas, por ter me aberto, por ter quase relaxado. "eu não devia ter baixado a guarda", o pensamento diz. "eu não devia ter me aproximado tanto", porque, afinal, aquele sentimento bom é tão raro que eu me vicio, que nem alguém num teto bom por uma droga. e como um drogadito fica sem a droga? é, isso aí mesmo.
hoje a terapia foi pesada. realmente, dois dias seguidos teve um efeito diferente. um dos meus maiores conflitos internos na adolescência era sobre a minha agressividade. eu não queria ser daquele jeito, não queria ser explosiva, não queria ser igual a ele. mas eu era. e eu me esforcei tanto pra não ser, mas tanto, que eu consegui. e o que eu percebi hoje é que eu saí de um estado ofensivo, que atacava (por vezes até dando o primeiro golpe), pra entrar em um estado defensivo. eu to o tempo inteiro esperando o golpe, esperando o tropeço. eu não percebia isso. como eu tento não dar margem pra terem algo contra mim, por exemplo. ou quando eu tento justificar e me defender de qualquer tipo de crítica. mas o pior de tudo é que "dar margem pra terem algo contra mim" significa demonstrar emoções. demonstrar carinho, amor, afeto, medo, tristeza, todos esses divertidamentes. a única emoção permitida é a raiva, e, mesmo assim, uma raiva que eu tento tanto conter. e isso cansa, cansa tanto. até quando eu tenho uma resposta positiva, eu sinto um rechazo logo depois. e uma vontade enorme de me isolar, sumir. a única coisa em que eu me sinto segura é trabalhando. mas eu não quero só trabalhar. eu não quero viver assim. mas o que eu posso fazer se eu simplesmente não sei amar, gostar, admirar da maneira certa?
ok, podem dizer "fernanda, não tem maneira certa". ok, pode ser que não, mas a certeza que eu tenho é que eu to fazendo sempre errado, tanto que isso acontece até quando "não tem maneira certa".
eu tô muito cansada, e já escrevi demais.
vou finalizar com um pensamento que eu tive agora, quando me atirei no sofa e dei uma choradinha de 30 segundos:
- a pior parte de se sentir deprimida não é o sofrimento, mas sim o conforto que esse estado traz. ficar bem requer tanto esforço, mas eu não tenho mais forças. pelo menos não hoje. e, assim, é confortável se manter nessa inércia. não precisar tentar mais tira um peso nas minhas costas, ainda que se mantenha o peso no peito. não é que eu não queira sair... eu quero. mas o problema é que, quando tem mais alguém, a minha mente se condiciona a esperar ajuda dessa outra pessoa. - falando isso, percebo que, novamente, to sendo maldosa comigo. acho que eu só queria alguém que se importasse a ponto de parar o que tá fazendo e simplesmente viesse me acolher. SERÁ QUE OS TRAÇOS DE PERSONALIDADE SÃO FORTES? kkk
mas, finalizando mesmo, eles nunca vem.
lembro quando brigava com augusto - ele se fechava no quarto, não mexia no celular e ia estudar. e eu no desespero. eu pegava o carro e ia lá porque "a gente não pode ficar assim, precisa se resolver". mas quem faria algo assim por mim? simplesmente bater na minha porta e dizer: "eu sei que tu não tá bem, me dá um abraço". por que eu sinto isso como tão utópico?
eu ia finalizar, mas quero dizer mais uma coisa: hoje, eu me abri, levemente sobre isso pra ele. e a resposta foi "tu é um amor, é linda e inteligente quer mais o que". eu até acredito por uns 5 minutos. mas, em seguida, minha mente só pensa: "isso foi de momento. tu não é nada disso, não é suficiente".
to exausta




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