Agora há pouco, subindo as escadas, vindo dormir, tu me veio a mente. Mais especificamente o fato de tu não ter respondido minha última mensagem (eu sei, problemas do século 21) e de ter, de repente, mais uma vez, ficado tão chato e amargo hoje. E aí, de repente (
não mais que de repente), me veio também o pensamento de que, há um bom tempo, não tem dia que eu fale contigo sem me sentir mal ou pedinte - o que faz com que o alerta de 'mais uma relação nada saudável' comece a disparar na minha cabecinha. Isso fez eu me perguntar por que tu age assim e por que eu estaria insistindo nisso se nem sequer é algo que me faz bem. A resposta da primeira pergunta é bem simples e direta: porque tu não gostas mais de mim - pelo menos não como gostou um dia. Tu sabes como eu sinto e que eu queria estar contigo. Eu costumava me dizer que tu tinhas direito de estar confuso e que quando a gente estivesse no mesmo lugar as coisas iam se ajeitar. Mas a verdade é que eu não sei mais se isso é verdade. A verdade é que tu parece saber que eu tô aqui esperando tu te decidir enquanto tu vive tua vida e me trata mal, o que não é (mais) uma verdade. A verdade é que eu não quero mais um relacionamento que viva no limbo e que me faça sentir triste, insegura e frustrada. E assim, posso dizer que com calma e tranquilidade eu decidi parar de insistir. Como eu disse, tu sabes que eu te quero na minha vida, mas não assim, não dessa forma. Se tu voltares a ser aquela pessoa por quem me apaixonei, ótimo. Se não, seguimos nossos caminhos de consciência limpa - eu, pelo menos, já que fiz minha parte (e muito mais) pra que a gente pudesse funcionar. Basta de implorar por carinho, por sentimento. Basta.
PS 1) a mente ainda tá confusa, as palavras não se organizam como deveria, mas tudo bem. Eu decidi parar de guardar todas elas na minha mente mesmo
PS 2) decidi escrever aqui por receio de que alguém em casa leia minhas anotações sem permissão (eu sei, inacreditável, mas fazer o quê)
PS 3) na viagem, escrevi uma carta pra ti, mas que no fundo eu sabia que ia ficar pra mim - para que eu relesse quando precisasse lembrar dos motivos que me fizeram me apaixonar por ti e também das formas com as quais tu tanto me magoou. Pra lembrar de como as coisas podem ser e do que eu mereço viver e receber - com certeza não o que eu estou vivendo e recebendo agora. Ainda não consegui reler essa carta, mas em algum momento, quando eu tiver um pouco mais de coragem, vou fazer isso. Só não agora, só não ainda.
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